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Liderança do basquete alvinegro, Coelho aposta no entrosamento para a temporada 2019/20
Atualizado em 22-07-2019, 16:30

Mesmo com apenas um ano de Botafogo, Henrique Coelho se tornou um dos principais símbolos do alvinegro no basquete. Talentoso e líder, o armador viveu uma temporada de superação individual para ser um dos pilares na equipe de Léo Figueiró, que mantém a base do NBB 11 para temporada 2019/20 e terá novos desafios pela frente, como a Liga Sul-Americana.

Mostrando que é um jogador extramamente dedicado até quando o assunto é extra-quadra, Henrique Coelho destinou a maior parte das suas férias aos treinamentos nos Estados Unidos, acompanhado de grandes feras da NBA. Em entrevista, o atleta falou sobre as últimas experiências, como aproveitou o tempo afastado das quadras e reforçou o desejo de título em General Severiano.

LESÃO

- Me preparei bastante fisicamente para chegar no Botafogo, investi nessa parte, me senti muito bem durante os primeiros meses de trabalho e fiz um bom Carioca. Por azar, tive uma lesão séria no primeiro jogo do NBB e precisei operar, algo que nunca tinha acontecido comigo. Posso dizer que foram os piores momentos da minha carreira, mas eu precisava me recuperar e sabia que teria o melhor acompanhamento possível para fazer isso. Como consequência positiva, minha saída passou a dar mais oportunidades para outros atletas ganharem confiança e também serviu para eu ver o jogo de outra forma. A soma desses dois fatores acabou sendo importante para o time ganhar ritmo, entrosamento e fazer um bom playoff.

VISÃO DE FORA

- Foram três meses sem participar das atividades completas com o grupo, onde percebi que precisava fazer algo para voltar melhor e comecei a prestar atenção em outras coisas. Passei a olhar não só para o cara que estava jogando na minha posição, mas o jogo dos pivôs e dos laterais, estudando mais os meus companheiros de time e suas preferências. Procurava tentar entender o porquê da bola não tá chegando no garrafão, onde cada jogador gostava de cortar ou chutar. Essas análises ajudaram a melhorar minhas médias, principalmente a de assistências e de três pontos. Consegui me colocar melhor dentro do sistema e de uma forma que facilitasse para todos os meus companheiros. Se eu esperasse voltar a estar 100% fisicamente para entender a complixidade do jogo, ficaria atrás e destoaria do time. O Léo começou a implantar o sistema para o Estadual e quando eu estava pegando, veio a lesão. Consequentemente, o nível de jogo do time já estava desenvolvido e eu precisaria me adaptar. Além de assistir com mais atenção, sempre que eu ia aos treinos, pegava a prancheta do Léo e ficava desenhando os sistemas e perguntando sobre as variações. O sistema é complexo, exige muita intensidade e a gente sabe que se um erra a movimentação, compromete toda a dinâmica. Esse estudo, essa forma mais fria de olhar na prancheta, executar e entender o papel de cada um na quadra, eu nunca tinha feito e acredito que tenha sido decisiva no meu retorno. É algo que vou levar para o resto da minha carreira. 

FÉRIAS?

-  Fazem cinco anos que venho me dedicando no pós-temporada e acredito cada vez mais que isso tenha fundamental importância na vida de um atleta. Sempre que acaba o ano, tiro de três a duas semanas para mim e depois procuro técnicos, auxiliares, opiniões e números a respeito do meu desempenho. Desde a primeira vez que fui, percebi o porquê dos jogadores da NBA serem tão evoluídos. Então, quem sou eu pra não treinar nas férias? (risos) Não tem como! É uma motivação e tanto estar entre eles e um investimento com garantia absoluta.

BASE MANTIDA

- A diretoria fez muito bem de manter a maior parte do elenco e dar continuidade ao Léo. Equipes campeãs tendem a fazer esse trabalho, reforçar onde se sentiu carente e aprimorar o que foi bom. Trocar muita coisa requer um trabalho do início e, obviamente, mais tempo. Hoje, o Botafogo tem seis atletas que se conhecem e sabem o sistema, enquanto apenas três chegaram. Eu já sei onde o Cauê gosta de chutar, onde o Mogi prefere a infiltratação e onde o Jamaal não se sente confortável para arremessar e passa a bola. Então, isso é fundamental para quem pensa em títulos. Começaremos a temporada com a base entrosada e inserindo os reforços dentro da nossa realidade. 

TÍTULOS

- Com certeza é um objetivo. Essa equipe tem uma vontade de vencer que é fora do comum, não tem essa de querer entrar pra disputar playoffs, nada disso. A meta é chegar em primeiro, não tem como ser diferente, ainda mais no nível que a gente atingiu, no clube que a gente tá jogando e com a torcida que teremos ao nosso lado. O Botafogo sempre tem que entrar pra ser campeão!

LIGA SUL-AMERICANA

- É um fator de motivação para quem está aqui e de atração para quem pensa em vir. Fazia tempo que eu não jogava, e colocar o nome do Botafogo a nível internacional será muito importante. É um campeonato diferente, em tiro curto, contra adversários muito consistentes na parte tática do jogo. Por cada jogo se tornar uma final, será um clima diferente do que vivemos aqui e precisaremos ter sangue frio principalmente fora do Brasil. Acredito em um torneio bem disputado, onde quem souber administrar melhor a pressão vai ficar com o título e a vaga na Liga das Américas.

 

Walner Junior