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Após grande temporada, Cauê Borges mira evolução e títulos pelo Botafogo
Atualizado em 16-07-2019, 22:00

Um dos pilares do Botafogo na campanha semifinalista do NBB 11, Cauê Borges renovou seu contrato e segue cheio de gás por novos objetivos em General Severiano. O ala de 28 anos vem mostrando grande avanço e alcançou médias de 14 pontos, 15 em eficiência e 33 minutos em quadra.

Filho do ex-jogador Chuí, que fez história por Franca e pela Seleção Brasileira com títulos e recordes, Cauê viu sua carreia mudar de patamar em Caxias, na disputa do NBB 10, quando ganhou o prêmio de Melhor Ala. Especulado em alguns clubes, fechou com o Botafogo, que tinha acabado de assinar contrato com Léo Figueiró, seu ex-assistente técnico no Sul. Cauê Borges chegou ao Glorioso cercado de expectativa e correspondeu com excelência, terminando a temporada como cestinha do Estadual, participação  no Jogo das Estrelas e mais uma indicação a prêmio individual no NBB. Em entrevista, o dono da camisa 4 relembrou os momentos da última temporada, a relação com Léo, falou sobre carreira e muito mais. 

TEMPORADA 2018/19

- Foi muito boa não só para mim ou para o time, mas para o Clube. O Botafogo tem uma história bonita no basquete brasileiro, venceu campeonatos nas décadas passadas e nossa campanha serviu para devolver essa paixão aos torcedores. Eles foram um show à parte! Tanto no Oscar Zelaya, como em São Paulo ou em Brasília, se sentiram representados e viveram nossas partidas intensamente. Sabemos que o futebol é o principal esporte aqui, mas a crescente do basquete e também do vôlei ao longo da temporada, trouxe um clima diferente. Isso foi muito gratificante, muito mesmo. O NBB 11 vai ficar marcado pra gente não só pelos resultados, mas por toda essa atmosfera que criamos e, agora, temos que dar sequência.

NADA DE SURPRESA

- Surpreendemos apenas quem estava de fora! Quem estava aqui sabia o quanto era possível alcançar a semifinal do NBB e ir até mais longe, levando o título. Batalhamos desde o início para chegar, sabíamos que seria muito difícil e realmente foi. Porém, na nossa cabeça, nunca pareceu algo extraordinário como alguns falaram depois, mas uma realidade que exigiria muita concentração e trabalho duro.

CHEGADA

- Quanto mais alta a expectativa e os objetivos, maior a responsabilidade. Assim que cheguei no Botafogo, tentei encarar isso de uma forma positiva, como fator de motivação para fazer tudo certo. Graças ao trabalho e comprometimento não só meu, como de todos que fizeram parte da equipe de trabalho, acredito que fiz uma temporada madura e fui reconhecido.

PESO DA FAMÍLIA

- Muita gente fala que lembra do meu pai ter jogado, vencido títulos paulistas, brasileiros e internacionais. O pessoal sempre acaba falando, mas nunca me senti pressionado por isso. Ele mesmo nunca me obrigou a jogar basquete e, depois que segui na carreira, me incentivou bastante. Acho que o meu reconhecimento como jogador de alto nível veio de uma forma natural e rápida. Meu ano em Caxias foi muito bom, com espaço, confiança e evolução. A partir dali, virei completamente minha chave. Cheguei no Botafogo com alguma expectativa por ter sido eleito o melhor ala e tive cabeça para manter o ritmo.

MOMENTO

- Acredito estar vivendo uma grande fase, o melhor momento da minha carreira até agora, mas espero que não seja o meu auge. Sempre tive o costume de fazer uma auto-avaliação após as temporadas e, mesmo indo bem nas duas últimas, não foi diferente. Ainda posso evoluir física e tecnicamente, melhorar o meu arremesso é uma das minhas metas pessoais para 2019/20, por exemplo. 

RELAÇÃO COM LÉO FIGUEIRÓ

- Já era boa em Caxias, onde ele era assistente, e deu para conhecê-lo bem. Esse ano, aqui no Botafogo, o Léo assumiu e mostrou ser  a mesma pessoa. Humilde, inteligente e que pensa em melhorar o jogo de todos, sem exceção. Cada atleta melhora um pouco e o grupo cresce, esse é o pensamento dele e passou a ser o nosso também. Durante os jogos, a vibração dele acabava passando boa energia e mexendo muito com a gente, até para buscar aqueles jogos que já pareciam perdidos. A atenção para falar com cada jogador, perguntar a opinião, entender o que estávamos pensando ou sentindo durante os treinos, fazia todos se sentirem importante. Toda essa parte de gestão, alinhada, óbvio, a parte tática, acabou conquistando o time inteiro do ano passado e acredito que foi fundamental para as renovações e até mesmo contratações. Ele é um cara sensacional, que fez e muito por merecer o prêmio de melhor técnico!

CAMPANHA NO NBB 11

- Era um time em formação, sem base do ano retrasado, com jogadores novos e o Léo implantando o sistema pouco a pouco. Isso levou um tempo, por isso tivemos deslizes até a reta final da fase regular. Ganhávamos dos times que estavam na parte de cima da tabela e perdíamos para os de baixo. Não conseguimos alcançar a regularidade ideal, seguir o padrão de jogo em todas as partidas. Acho que o número de lesões do nosso time, que foi grande, também acabou pesando. O Henrique (Coelho) ficou fora três meses, o Murilo só voltou nos playoffs, eu perdi 5 rodadas por conta de duas contusões diferentes, Ralfi e Maique também se machucaram, e isso deu uma quebrada significativa no ritmo do time. A cada semana precisávamos fazer algo para se adaptar a jogar sem um, dois, ou até três jogadores na rotação. De positivo, isso também deu mais tempo de quadra para todos ganharem confiança, como foi o Diego, que chegou na metade da temporada e ajudou demais. Na reta final, com todos em boa forma física, foi mais fácil de ajustar nossos erros e, consequentemente, o time ficou mais regular. Não vencemos todos os jogos, mas sabíamos o que fazer em quadra, o caminho a ser percorrendo para chegar às vitórias, o que iríamos usar e quando usar. A filosofia que o Léo tanto trabalhou estava implantada no nosso time e, independente das circunstâncias, ela era a nossa identidade.

TEMPORADA 2019/20

- A confiança é muito alta para esse ano. Temos a chance de disputar quatro campeonatos, brigar por quatro títulos, e quanto mais, melhor. O trabalho começou da mesma forma: comprometimento ao extremo. Precisamos buscar o nosso entrosamento o mais rápido possível para fazer uma temporada mais regular, sem tantos altos e baixos. Diferente do ano passado, nossa equipe já tem uma base e uma identidade, somos mais remanescentes (6) do que contratados (3) e isso é muito importante se você parar para pensar que em outubro já temos um torneio internacional pela frente.

LIGA SUL-AMERICANA

- Vai ser muito boa! O Botafogo merecia isso, uma competição internacional de alto nível. Além da Liga Sul-Americana ser um grande desafio e um título cobiçado, ela dá ao vencedor uma vaga na Liga das Américas. Estamos nos preparando para viver algo especial mais uma vez e agora conseguir o prêmio máximo: o troféu de campeão.

O Botafogo já tem três compromissos para a temporada 2019/20: o Estadual, a Liga Sul-Americana e o NBB. Se repetir o que fez no ano passado e terminar o primeiro turno entre os oito primeiros colocados, o Fogão também disputará a Copa Super 8.

 

Walner Junior