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Tragédias que unem

Relembre a história de Albano, que ensinou o Botafogo a crescer após grande comoção
Atualizado em 02-12-2016, 10h30

O Botafogo tem uma história muito particular de tragédia para compartilhar e mostrar como cresceu com isso. Guardadas as devidas proporções, o roteiro se mostra semelhante: impacto da notícia, consternação e solidariedade. Ensina, traz a reflexão e desperta múltiplos sentimentos, como a união.

Foi chocante a queda do avião da delegação da Chapecoense. Uma tragédia que, apesar de tudo, nos fez constatar, mais uma vez, como o futebol é fantástico e tem uma incrível capacidade de se reinventar, de aglutinar pessoas e ideais, de romper fronteiras. Vai ficar na memória de todos as demonstrações de amor ao redor do mundo, por clubes e pessoas, em especial do Club Atlético Nacional e sua torcida.

É bem verdade que são situações de grandezas distintas, mas o Botafogo tem um episódio de superação que vale recordar. O Botafogo Football Club (BFC) e o Club de Regatas Botafogo (CRB) eram clubes distintos em grande parte da história, mas com o mesmo DNA, pensamentos similares e até mesmo dirigentes comuns.

Os dois clubes ampliaram suas atuações com destaque também “noutros esportes”. No basquete, eram grandes potências. No dia 11 de junho de 1942, um confronto entre ambos no Campeonato Estadual da modalidade, em General Severiano, marcou uma das passagens mais emblemáticas da história do Botafogo. O placar assinalava 23 a 21 para o Botafogo Football Club quando o atleta Armando Albano, do BFC, morreu em quadra após um ataque fulminante. A atmosfera que se criou foi de profunda comoção.

Duas frases marcantes foram eternizadas na época. A primeira, do presidente do Botafogo Football Club, Eduardo Góis Trindade, que afirmou: “Nas disputas entre os nossos clubes só pode haver um vencedor, o Botafogo!”. O presidente do C.R.Botafogo, Augusto Frederico Schimidt, completou: “O que mais é preciso para que os nossos dois clubes sejam um só?”. Estava iniciada a fusão entre Regatas e Futebol, que viria a ser oficializada no dia 8 de dezembro daquele ano.

Nada irá dirimir a dor dos familiares, torcedores e brasileiros em geral, mas a comoção geral causada pelo trágico acidente pode ter, de alguma forma, uma contribuição histórica no mundo de hoje. Como foi o exemplo de Armando Albano, que fez das duas estrelas uma só, a Solitária.

Em sinal de respeito e apoio às vítimas da tragédia, o Manequinho - um dos principais símbolos do clube -, conhecido por vestir a camisa do Botafogo em títulos e momentos de grande alegria, pela primeira vez trajou a camisa de outro clube com grande honra. Nada mais justo.

Equipe Site Oficial