notícia

Inadmissível

VP e Gerente de Futebol expõem mazelas da arbitragem em caso João Paulo
Atualizado em 19-03-2018, 20:49

João Paulo foi a campo trabalhar e saiu de ambulância com uma fratura importante na tíbia e fíbula da perna direita. Não pode ser encarado como "ossos do ofício" e sim como fruto de uma atitude temerária do atleta Rildo, do Vasco da Gama. Em entrevista coletiva no Estádio Nilton Santos, o VP de Futebol Gustavo Noronha e o Gerente de Futebol Anderson Barros falaram sobre a "atitude tomada" pelo árbitro da partida, Sr. Leonardo Cavaleiro, que aplicou apenas o cartão amarelo ao jogador vascaíno. Ambos também demonstraram indignação com a condução tomada pela Comissão de Arbitragem do Rio(COAF-RJ), que limitou-se a lamentar o ocorrido com João Paulo e eximir o árbitro da culpa pela fratura.

- Ontem o clube uniu esforços em torno do João Paulo. Toda prioridade foi para o atendimento médico. Assisti o jogo lá de cima e assim como qualquer leigo eu vi que aquilo era uma fratura. Ele estava sentindo muita dor e saiu direto para o hospital. Graças a Deus a cirurgia foi feita de forma perfeita e tivemos a resposta positiva dos médicos. Após a poeira baixar iniciamos a conversa novamente sobre o episódio já surpreendidos por uma posição da COAF-RJ, que fez uma teleconferência para dizer que não seria punido o árbitro da partida. Não passa pela minha cabeça que o Rildo teve a intenção de machucar o nosso atleta, mas foi uma atitude imprudente e não fruto de azar. Esperamos que o árbitro seja punido e que a corregedoria tome as providências quanto ao atleta, que possa justificar tal força aplicada na jogada. Que seja julgado mesmo sendo absolvido, é isso que esperamos. O nosso sentimento é de indignação pela resposta tão rápida da COAF-RJ para não aplicar uma punição. Entramos hoje com uma representação formal contra a arbitragem - disse o VP Gustavo Noronha.

Gerente de Futebol do Botafogo, Anderson Barros também falou sobre a situação e reforçou que não deveria ser difícil para as pessoas assumirem seus erros. O dirigente frizou o momento delicado que vive o Campeoanto Carioca e lembrou que as reclamações chegam também de outros clubes.

- Acredito muito que no momento como esse se faz muito importante a posição do Botafogo, até por atravessarmos um Campeonato Carioca de 2018 muito delicado, com reclamações não só do Botafogo, mas de outras equipes. Claro que todos tem sua responsabilidade, já que concordaram com tudo. Hoje temos uma sociedade doente e todos nós somos coniventes. O atleta do Vasco da Gama foi imprudente e o Rildo ontem assumiu uma responsabilidade. Lógico que não estamos falando da maldade dele no lance, mas todos nós temos que pagar pelos nossos erros e aos que cometemos a terceiros. Não podemos admitir a postura da arbitragem. O Leonadro Cavaleiro errou e tem que ser punido. É simples. Qual é o problema de vir a público e assumir o erro? Precisa ser punido por aceitar um ato grave de violência dentro de um campo de futebol. Aconteceu isso contra o Flamengo, representamos, enviamos a carta e nada mudou. São fatos muito claros, essa relação é delicada e o Botafogo precisa se colocar quanto a isso. Disse isso ao Presidente da Federação hoje. Bastava reconhecer e tomar as devidas atitudes. Quando assumimos o que erramos conseguimos passar um pouco mais de credibilidade. A responsabilidade é de todos nós, clube, imprensa e arbitragam, mas o fato específico de ontem é culpa da comissão de arbitragem - falou Anderson Barros.

Confira os demais trechos da entrevista coletiva de Gustavo Noronha e Anderson Barros:

SOLICITAR ARBITRAGEM DE FORA DO ESTADO (GUSTAVO NORONHA)

- O Botafogo joga a regra do jogo. Não faremos um pedido que não esteja no regularmento. Contra o Flamengo não foi feito o afastamento do árbitro.

CARIOCA COM CREDIBILIDADE FERIDA (ANDERSON BARROS)

- Acho que é uma culpa de todos nós. Da Federação, dos clubes e de todos que estão envolvidos nesse processo. Não podemos em 2018 discutir a credibilidade do Campeonato Carioca. Não podem jogar Vasco e Botafogo, domingo, às 16h, com um público pequeno. Não estamos aqui tentando apagar o erro que tivemos na Copa do Brasil. Estamos trabalhando muito para isso no dia a dia. Temos consciência e estamos sentados aqui hoje para falar dessa situação que vive o campeonato. Coisas que ferem a credibilidade da competição. Precisamos corrigir os erros e não transferir responsabilidades.

REPRESENTAÇÃO FORMAL (GUSTAVO NORONHA)

- Nós podemos e já preparamos o documento. O caso é tão absurdo que aguardamos o posicionamento do procurador. Se ele não fizer, o faremos. Foi uma relativação totalmente sem sentido. E quando você olha para a esposa de um jogador ao lado da ambulância e você tem que falar para ele alguma coisa sabendo que seu marido vai ficar de cinco ou seis meses em casa? Como faz?

ÁRBITRO DE VÍDEO (ANDERSON BARROS)

- Acho que o árbitro de vídeo vai fazer parte do futuro, uma situação que vai acontecer. O episódio de ontem trascende a questão do árbitro de vídeo. Além da incapacidade momentânea do árbitro é a posição da comissão de arbitragem. Em momento algum discutimos aqui o nível da entrada. Todos constataram isso e a comissão disse que foi tudo normal. O que aconteceu ontem não faz parte do futebol e somando as posturas da arbitragem em outros jogos nossos. No jogo contra o Flamengo, por exemplo, houve dois impedimentos, e saímos prejudicados. Não podemos fugir que o grande conceito do árbitro de vídeo é minimizar erros. Temos árbitros na linha de fundo para diminuirmos os nossos erros. Podemos até discutir isso, mas o conceito básico é fazer com que o jogo tenha o seu resultado mais puro, o que realmente aconteceu. O caso de ontem foi mais específico.

PEITO ABERTO (ANDERSON BARROS)

- Estou aqui falando que estamos trabalhando para reverter a nossa situação diante da nossa torcida e a comissão de arbitragem não pode assumir seus erros? Ninguém aqui quer interferir na carreira de nenhum deles. O Rildo tomou uma atitude intempestiva e correu o risco de cometer um acidente. Cometeu e tem que pagar por isso. Temos que voltar no processo da malandragem, dar uma cotovelada e esperar que o árbitro não veja? Não!

INDIGNAÇÃO (GUSTAVO NORONHA)

- É inacreditável. O nosso médico disse para ele que quebrou. Ele poderia ter se abaixado para olhar, é o mínimo que se espera numa situação como essa.

SUBSTITUTO PARA JOÃO PAULO E MONITORAMENTO DO MERCADO (ANDERSON BARROS)

- Acho que em relação ao João Paulo será até complicado, é um perfil de jogador caro hoje. Além da qualidade técnica, o homem que ele é em relação ao grupo. Isso se torna um grande dificultador para nós. Temos que sentar, discutir e ver as características dos nossos atletas dentro do nosso elenco que possa substituí-lo. A prioridade é a recuperação dele, o dia a dia. É uma peça importante, fará muita falta para nós. Teremos que continuar no mercado para nos fortalecermos sempre. Foram oito contratações feitas pela Departamento de Futebol até hoje, além de jogadores que estão se recuperando de lesão da temporada passada. Em sete dias teremos três cirurgias, além de lesão com fratura, que foi o caso do Renatinho. O planejamento é importante para que possamos contratamos da maneira correta.

Marcos Silva