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A cara do Botafogo

Confira a crônica do Gerheim sobre a partida de estreia do Fogão
Atualizado em 03-02-2017, 12h29

Em 1973 tínhamos um grande time, o melhor do Brasil, inclusive eliminamos na Pré Libertadores o Palmeiras para quem havíamos perdido num zero a zero injusto na final, no Morumbi, o título brasileiro de 1972. Foram três jogos de arrepiar: perdemos o primeiro, de 3 a 2, no Parque Antártica, vencemos o segundo, com bela atuação, 2 a 1, no Maracanã e o terceiro, também no ex-Maior do Mundo, 2 a 0 (naquela época não havia essa história de gol fora de casa, valia a diferença de gol, daí a realização do terceiro jogo). Era um desfile de craques de um lado e outro, mas no fim prevaleceu a classe e categoria de Jairzinho, Roberto, Fischer, Brito, Leônidas, Carlos Roberto, Ney Conceição, Marinho Chagas e Dirceu, grande contratação, vindo do Coritiba.  E outros mais.
Já na fase de grupos grandes vitórias sobre Nacional e Peñarol. Avançamos e chegamos à semifinal, que reunia três times em cada chave. A nossa, Colo Colo, então o campeão e time de maior torcida do Chile, Cerro Porteño, do Paraguai.

No primeiro jogo, Maracanã, engalanada,uma partida de arrepiar, contra os chilenos,que tinha um camisa sete endiabrado, chamado Casely, até hoje considerado o melhor e maior ídolo do futebol andino. Perdemos de 2 a 1. Em seguida, nova derrota para o Cerro, 3 a 2, em Assunção, depois de estarmos vencendo por 2 a 0, mas sofremos a reação, com a expulsão de Jairzinho, pai de nosso técnico atual. Mas ainda não estávamos eliminados.

No terceiro jogo, contra o Colo Colo no tristemente famoso Estádio Nacional, fizemos uma bela partida, estávamos vencendo por 3 a 2, até o ultimo lance e se assim fosse decidiriamos a classificação à final contra o Cerro no Maracanã. Mas sofremos o empate na ultima bola cruzada sobre nossa área e fomos eliminados. Ganhamos do Cerro na ultima partida, como se sabia, e demos a classificação ao nosso algoz. Que decidiu e perdeu o título na final para o Independiente de Buenos Aires, o maior ganhador da Libertadores até hoje.

Na quarta, 45 anos depois, no nosso lindo Nilton Santos, me senti recompensado por ter podido viver de novo a emoção de um Botafogo e Colo Colo, dessa vez com nossa vitória pelo mesmo placar, 2 a 1. Jogo de qualidade, um clássico sul americano, vitória maiúscula, sofrida, com nossos jogadores ainda se conhecendo em campo, com Airton comandando nossa equipe, marcando até gol, depois sofrendo uma contusão e saindo no intervalo, o jovem Marcelo, um gigante, como de resto todo o time. Poderia ter sido de três, poderia não ter levado um gol, poderia. Mas não seria a nossa cara.
Vamos ganhar de novo lá em Santiago. E vamos seguir em frente. Eu acredito.

Observação: Naquela época era repórter do Jornal dos Sports e acompanhei o time em Santiago.

José Antonio Gerheim
Colunista do Site Oficial