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Jair Ventura alia caminhada no Alvinegro ao poder do trabalho coletivo
Atualizado em 27-10-2016, 13:10

Um começo avassalador e de entendimento entre treinador, comissão técnica e jogadores. Jair Ventura recebeu do presidente Carlos Eduardo Pereira a confiança e a oportunidade de ser o novo treinador do Botafogo e corresponde bem. A equipe está na 5ª colocação no Campeonato Brasileiro, na briga pela Libertadores e o treinador sabe bem o que precisa fazer para seguir na trilha do sucesso após anos de preparação.

- Foram onze anos esperando e um treinador jovem não costuma ter muitas chances. Era a minha única chance, só tinha uma bala na agulha e não poderia errar o tiro. Me preparo para fazer o melhor, alcançar o máximo, mas estamos mais preparados para o pior. Infelizmente no Brasil você é julgado pelo resultado e não no trabalho. Estou numa situação de treinador hoje por conta do Ricardo ter feito uma escolha. Caiu no meu colo e acredito que tenha sido muito difícil para o Presidente colocar um treinador jovem. Fico feliz pelo momento e pelos resultados. Ninguém vive com 80% de aproveitamento, é difícil manter. Me preparei bastante, inclusive para o momento ruim - destacou Jair.

Jair chegou de fato e não por acaso. O treinador é considerado jovem para a função, mas demonstra qualidade e variedade quanto ao modo de jogar. Jair diz não se preender quando o assunto é esquema tático e monta sua equipe de acordo com os jogadores que conta e os adversários que enfrenta.

- Vejo o futebol com meu esquema de referência, mas nunca vou implementá-lo se não tenho jogadores com características para ele. Penso em usar meu sistema de acordo com o meu elenco. Costumo fazer a analogia das cartas, não posso jogar o coringa de cara. Já jogamos no 4-2-3-1, 4-3-3, 4-1-4-1... Não fico travado no esquema, sou bem tranquilo quanto a isso. Depende do que fizerem no campo. Vou adequando de acordo com a situação - esclareceu.

Confira os principais trechos da entrevista coletiva de Jair Ventura:

CASA CHEIA CONTRA O COXA

- Importantíssimo. O sonho de todo profissional é jogar com o estádio cheio e a torcida do Botafogo vem fazendo um papel maravilhoso nos últimos jogos, abraçou a equipe e é o nosso 12º jogador. Fico muito feliz e aproveito para convocá-la para encher a casa.

VAGA NA LIBERTADORES

- Difícil pelo equilíbrio do campeonato, mas vamos tentar fazer o máximo para manter. Não posso prometer que vamos classificar, mas vamos em busca para deixar o Botafogo na melhor posição possível. Não sei se iremos à Libertadores, mas faremos o possível.

DE OLHO NO CORITIBA

- Tiveram uma ascensão e agora que deram uma estagnada na tabela. É uma equipe muito boa e o Carpegiani está de parabéns. Ontem jogaram pela Sulamericana e sabemos que é uma equipe que muda bastante. Será um jogo dificílimo.

FIM DE TEMPORADA

- É o meu primeiro ano efetivado como treinador, mas estou no futebol há bastante tempo. Uns ficam, outro não e temos que lidar com isso tudo. Acontece sempre no fim do ano e coloco pra eles a importância de manter o foco por tudo que buscamos na temporada. São seres humanos, vemos alguns indo para caminhos diferentes, pensando nas férias, mas puxamos pelo braço e trazemos para nós novamente. O foco é até o fim.

MANUTENÇÃO DO ELENCO

- Costumo dizer que a nossa contratação é a manutenção do elenco. Já sabem da nossa filosofia de trabalho e facilita muito a vida do treinador. Não posso chegar para o Sassá e contar história para ele caso ele receba uma proposta milionária. A base do trabalho mantida é um grande reforço para o treinador.

MÉRITO DE TODOS

- Acho que a gente está num esporte coletivo. Retribuir ou definir um bom momento por uma pessoa é demais. Busco sempre o coletivo. O Camilo é importante sim, mas como todos. Uma andorinha só não faz verão. Todos são importantes para a nossa situação no campeonato. O Camilo está sempre ajudando, mesmo quando não faz o gol ou é decisivo na partida. Como quando perdemos a culpa não é só de um, quando ganhamos também é assim. O grupo é determinante.

METODOLOGIA VENTURA

- O futebol não é uma ciência exata. São muitas maneiras de trabalhar e eu tenho a minha, aplico pouco a pouco. Isso tudo só está acontecendo porque eles acreditaram. O segredo é extrair o máximo de cada jogador, o lado motivacional também. Não sou determinante para esse sucesso. Nosso staff também é muito bom, uma união que faz muito bem ao Botafogo.

CAMILO

- É difícil ser decisivo em todos os jogos. Quando ele não é com passes ou assistências, ajuda bem na parte tática. Manter no nível que ele estava é  muito difícil. O que me deixa mais feliz é que ele não se abate, fica feliz com a vitória da equipe. Mostra o lado coletivo, sua importância para o time e isso fica para os demais, o dever de sempre ser competitivo. Rende frutos para a parte coletiva do Botafogo.

O ADEUS AO CAPITA

- Fiquei muito triste com a perda do Capita. Meu pai ficou arrasado e um amigo nosso disse que ele ficou um dois ou três minutos sem acreditar. Não só pelo profissional que foi, mas como pessoa. Uma cara querido por todos e que estava trabalhando com vocês até um dia desses. Sofremos como se fosse da família. Todos sentiram bastante e agora é desejar muita força para a família.

SASSÁ

- O Sassá tem chances sim e vem numa evolução. O Diogo está um pouco atrás por conta da lesão. Vejo o Sassá um pouco mais a frente do Diogo na parte clínica. É nosso artilheiro, vive um grande momento na carreira e quero utilizá-lo da melhor maneira possível. Ainda faltam seis jogos e não quero perdê-lo.

AIRTON

- O Airton vem no momento maravilhoso, mas está vindo de uma lesão e ainda paga o preço de ter ficado um ano parado. Temos calma com ele, assim como o Dudu, que preservamos hoje também. Espero contar com eles no sábado.

Marcos Silva