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Crônicas do Gerheim

A Estrela seguirá te iluminando, Capitão
Atualizado em 25-10-2016, 20:10

De repente. Na bela caminhada que o time de nossa paixão eterna faz neste ano de 2016, retomando sua história de grandes vitórias e conquistas, sua vocação para estar a frente dos momentos marcantes do futebol brasileiro, uma pancada nos atinge no peito e no coração; deixou-nos o melhor lateral direito de todos os tempos do futebol brasileiro, o capitão da seleção do Tri na Copa de 1970, no México, Carlos Alberto Torres, o "Capita", como era carinhosamente chamado pelos companheiros de time e pela torcida brasileira que tanto o amava e admirava, pelas virtudes, dentro e fora do campo.

Revelado nos juvenis, ou base do Fluminense, como se diz hoje, Carlos Alberto logo ganhou espaço no time principal do Tricolor, que impediu o tricampeonato carioca do Botafogo, seu time de coração, em 1969, com suas arrancadas pelo lado direito do campo, no melhor estilo dos grandes alas da seleção que o precedera, como Djalma Santos, na direita e o fenomenal e incomparável Nilton Santos no lado esquerdo.

Do Fluminense foi para o Santos de Pelé e chegou indiscutivelmente à Seleção Brasileira que viria a explodir de emoção e felicidade os que tiveram o privilégio de vê-la jogar a Copa do México, na qual brilhou seu talento e sua liderança.

Time no qual teve como companheiros ícones da constelação gloriosa do Botafogo, tais como Jairzinho Furacão, Gerson Canhotinha de Ouro, Paulo Cezar Caju, Roberto Miranda, Rogério, sem falar no técnico Zagallo, no preparador físico Admildo Chirol, no médico Lidio Toledo.

Em 1971, antes de ir brilhar no Cosmos, de Nova Iorque, realizou o sonho acalentado desde menino, vestiu a camisa da Estrela Solitária, formando na famosa Selefogo, um timaço só de estrelas, que deu shows de bola memoráveis, mas por uma infelicidade dele e nossa perdeu o título na partida final para o Fluminense, que ganhou com um gol ilegal a quarto minutos do fim, absurdamente validado pelo árbitro José Marçal Filho. A infelicidade do Capita foi o rompimento dos ligamentos do joelho direito, ainda no primeiro tempo, um prenúncio de nosso infortúnio naquele dia.

Mas se não deu daquela vez, Carlos Alberto Torres, nos recompensou com juros e correção monetária em 1993, quando voltou ao Botafogo, após mais  uma crise monumental vivida pelo clube, financeiramente no fundo do poço. O Capita montou um time sem estrelas e craques, e nos levou ao título da Copa Comembol,(atual Copa Sul Americana), numa emocionante final com o Peñarol no Maracanã. Um titulo com a marca do Botafogo e do eterno grande Capitão do Tri.

Viaja em paz para os céus, Carlos Alberto Torres. A Estrela Solitária te guiará.

José Antonio Gerheim
Colunista do Site Oficial