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Prática de mercado

Presidente vê procura por Ricardo com normalidade e nega indignação do Botafogo
Atualizado em 11-08-2016, 18:40

O modo de trabalho da diretoria do Botafogo é bem claro, sem brechas para especulações e boatos, principalmente na imprensa. O assunto do momento é um possível interesse do São Paulo na contratação do treinador Ricardo Gomes, profissional que tem contrato com o Botafogo até o fim de 2016. O presidente Carlos Eduardo Pereira falou sobre o assunto e deixou claro que o clube não está 'revoltado' com a situação ou postura da equipe paulista. Confira na íntegra.

- Tenho lido nesses últimos dois dias na imprensa muito no sentido de que há por parte da diretoria do Botafogo um clima de revolta e inconformismo sobre uma eventual sondagem do São Paulo ao nosso técnico Ricardo Gomes. Quero deixar bem claro que da parte do clube nós entendemos o que é a dinâmica do mercado. O Ricardo é um técnico indiscutivelmente valorizado pelo trabalho que realiza e pelo currículo que tem. Da nossa parte não há nada a comentar sobre qualquer revolta ou qualquer outra coisa. É uma prática normal do mercado e assim como os clubes tem o direito de demitir os seus treinadores, os mesmos eventualmente tem o direito de buscar um outro ambiente que lhe dê melhores condições de trabalho. Até o presente momento não existe nada definido. O Ricardo segue trabalhando e preparando a equipe para o jogo contra o São Paulo. Não queria nenhum clima especial para esse jogo, além da grande importância para o Botafogo por conta da nossa posição na tabela.

CONTRATO COM O TREINADOR

- Também divulgaram que o Botafogo não teria assinado um contrato com o Ricardo. O contrato com ele foi assinado quando ele veio para o clube e ele permanece em vigor. Não há um novo vínculo a ser assinado, a única coisa que houve no mês de maio foi no sentido de um ajuste salarial, mas sem modificação no corpo do contrato. Aquele mesmo feito em sua chegada segue em vigor. Essa questão não tem nada haver com o caso Willian Arão, com o caso Henrique Almeida... São coisas completamente distintas e é necessário que a torcida do Botafogo esteja ciente disso. O contrato do Ricardo tem prazo determinado e é permitido uma rescisão amigável de ambas as partes. Foi assinado em 2015 e vai até o fim desse ano.

CONTATO FORMAL COM O SÃO PAULO NÃO EXISTE

- Não houve nenhum contato do São Paulo com o Botafogo. Tenho uma relação normal com a direção do São Paulo e conosco nada foi dito. Converso todos os dias com o Ricardo, faz parte da nossa rotina, mas especificamente esse assunto não foi abordado, estamos concentrados para o jogo do próximo domingo. Até brinquei com ele e disse que tem que vencer o jogo domingo para se valorizar.

BOM PARA OS DOIS

- O Botafogo está focado nesse jogo de domingo. Não sei o que vai acontecer na segunda-feira. Não se tem como prever isso. Vemos recentemente alguns treinadores serem demitidos com um mês de trabalho, é uma dinâmica normal do mercado do futebol e é importante que a torcida entenda isso. Ninguém sairá prejudicado independentemente do que acontecer. Caso não aconteça nada as coisas continuarão normais como já foi uma ves, quando o Cruzeiro procurou o Ricardo.

APRENDIZADO CONSTANTE

- Eu não tenho dúvida que a cada minuto que convivo no futebol aprendo alguma coisa. Pode ter certeza que todos esses episódios estão ensinando muito. Me lembro das primeiras vezes que estive próximo do futebol o presidente Emil Pinheiro me dizia: "Meu filho, você veio com dois ouvidos e uma boca. Ouça muito mais do que fale". Nessa dinâmica do futebol temos que estar atentos e vamos aguardar o desenvolvimento das coisas para que possamos comentar sobre coisas concretas.

POLÍTICA DA DIRETORIA

- Nós só tivemos dois treinadores. O René Simões na primeira parte da Série B e de lá pra cá com o Ricardo Gomes. É importante escolher alguém que esteja inserido no estilo de trabalho que você pensa. Assim fizemos para a troca do René para o Ricardo, pensando no longo prazo. Quanto menos substituições é melhor para o trabalho.

EXPECTATIVA DE UM RETURNO MELHOR

- É uma conversa permanente com o elenco e com toda a comissão técnica no sentido de que tivemos um primeiro turno com muito mais problemas que gostaríamos de ter tido. A questão das contusões foram muito intensas e os reforços que trouxemos chegaram mais na parte final do primeiro turno. E foram entrando aos poucos. Foram os casos do Dudu Cearense, do Pimpão e do Canales. Acreditamos que agora com o departamento médico vazio nós teremos outra condição, contando também com a Arena Botafogo, o que nos permite não ficar vagando por aí. Foi uma ação importante na diretoria e o elenco tem reconhecido isso nas últimas partidas.

NINGUÉM É INSUBSTITUÍVEL

- Não temo. O Botafogo não depende de uma pessoa, nem eu ou qualquer da diretoria ou comissão técnica é considerado insubstituível. Claro que qualquer alteração pode gerar reflexos no elenco, mas medo não. O trabalho é em conjunto e que pode seguir adiante. Primeiro precisa haver uma proposta, como não houve, não existe compensação.

PRÁTICA DE MERCADO

- No futebol estamos sempre aprendendo e precisamos ter um plano B, C e D. Sem dúvida alguma estamos sempre acompanhando essa dinâmica e procurando sempre pensar em situações. Prefiro não antecipar nada e o mais importante é levar a mensagem para a torcida do Botafogo que não há nenhuma revolta de nossa parte. Se ocorrer alguma negociação será avaliada por nós, dentro de uma política tranquila e profissional.

ORÇAMENTO NO LIMITE

- O Botafogo já está no seu limite de orçamento. Deixo isso bem claro. Não é essa a nossa visão. Nosso orçamento está muito apertado. Pagamos quase a folha de outros times em dívidas trabalhistas, o que nos deixa em uma situação orçamentária bem restrita. Isso é importante para a torcida entender a escolha por alguns jogadores que não são considerados top, as pessoas precisam entender que as dívidas precisam ser pagar. Tentamos fazer o melhor possível com o dinheiro que nos sobra.

Marcos Silva