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Nota Oficial

Clube se manifesta em resposta à reportagem do Extra sobre Mauricio Assumpção
Atualizado em 15-09-2015, 12h30

Nota Oficial em resposta à reportagem do Jornal Extra, de 13 de setembro de 2015, por meio da qual o Sr. Maurício Assumpção concede entrevista surreal sobre a gestão que conduziu o Botafogo ao maior endividamento entre Clubes de Futebol do Brasil e à Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro.

Lamentamos qualquer reportagem que siga a linha editorial da unilateralidade e que negue oportunidade de esclarecimentos à nova Diretoria, representativa da Instituição Botafogo de Futebol e Regatas.

O título da reportagem “Versão de quem mandou” está incompleto. De fato poderia ser “Versão de quem mandou o Botafogo para a Segunda Divisão”.

Em nenhum momento a atual Administração do Botafogo de Futebol e Regatas foi procurada pelo Jornal Extra que dedicou uma página inteira ao que houve de pior na história recente do Clube.

A tendenciosidade da reportagem é de tal ordem que não há uma nota sequer sobre o Botafogo e a boa fase da equipe, atual líder do Campeonato Brasileiro da Série B e que tem dado mostras, de sobra, que com competência e quase sem recursos, é possível praticar uma administração responsável e exitosa.

Dito isto, seguimos aos fatos que atestam, SEM SOMBRA DE DÚVIDAS, o descalabro da gestão anterior e a indubitável responsabilidade do Sr Maurício Assumpção e seus Vice Presidentes, pela gravíssima situação financeira vivida pelo Clube atualmente.

Observando o histórico abaixo, bastam algumas perguntas simples:

1.    Como o Sr. Maurício Assumpção, depois de seis anos a frente do Clube, pode achar que não tem responsabilidade por ter deixado um Clube sem qualquer recursos para pagar suas mínimas contas rotineiras?

2.    Como o Sr. Maurício Assumpção pode achar normal deixar que jogadores importantes do elenco tenham somado tantos meses em atraso de salários e encargos trabalhistas, dando-lhes o “aval” para se desligarem do Clube com grave prejuízo e nenhum retorno financeiro (Gabriel, Daniel e Andrey)?

3.    Como pode o Sr. Maurício Assumpção achar normal ter pago gordas comissões à empresa de seu pai e seu irmão, sem concorrência ou  respeito à ética para a contratação?

4.    Como pode o Sr. Maurício Assumpção achar normal ter contraído diversos empréstimos com pessoas físicas e jurídicas sem autorizações dos Poderes do Clube e, em alguns casos, pagando comissionamento, algo absolutamente fora de qualquer padrão de mercado?

5.    Como o Sr. Maurício Assumpção pode ter a desfaçatez de afirmar que não piorou a situação do Clube, mesmo depois de ter contraído dívidas muito acima da capacidade de receitas do Botafogo, sem qualquer autorização dos Poderes do Clube?

6.    Como o Sr. Maurício Assumpção pode pretender se esquivar da responsabilidade de ter deixado de pagar tributos, dando outra destinação aos recursos, sob o frágil argumento de um refinanciamento?

7.    O Sr. Maurício Assumpção fala da gestão de seu antecessor, mesmo após o Conselho Deliberativo ter aprovado o relatório do Conselho Fiscal e condenação da Junta de Julgamento de Recursos que apurou uma dívida com o Clube de aproximadamente R$ 1,3 Milhão, sem cumprir a sua obrigação de promover a devida cobrança?

8.    Como pode o Sr. Maurício Assumpção afirmar que a presença de um prestador de serviços ao departamento financeiro é motivo de aval de sua gestão, quando a permanência dele deveu-se fundamentalmente à necessidade de se ter um mínimo de informações sobre as operações do Clube, tendo em vista a falta de transparência que reinava, bem como a necessidade de continuidade das tarefas rotineiras, uma vez que o Sr. Maurício Assumpção, verdadeiro responsável pelas decisões, jamais apresentou-se para prestar qualquer esclarecimento ou explicação?

A toda evidência houve uma gestão temerária e que tem obrigado à nova Diretoria do Botafogo a um esforço hercúleo para reorganizar o Clube, ainda acumulando o peso da falta de credibilidade e do grande volume de dívidas que ainda não puderam ser renegociadas.

As palavras desse ex-Presidente ofendem esta Instituição Centenária e todo o seu quadro social.

E é de se registrar que o Sr. Maurício Assumpção fez tudo isso porque sabia que não ocuparia mais cadeira da Presidência e confiava que com o próximo Presidente “tudo acabaria em pizza”. Ledo engano, apesar da falta de recursos para uma auditoria externa, estamos apurando tudo até as últimas conseqüências.

Relatando apenas alguns dos muitos acontecimentos, já é possível concluir que o “depoimento” do Sr. Maurício Assumpção é uma falácia, uma obra de terror e ficção mal escrita:

•    A nova Diretoria não encontrou nenhuma receita disponível ou programada. Ao contrário, sem qualquer aviso ou providência, foi surpreendida com a penhora em ações trabalhistas da receita de televisionamento, logo no início do mês de dezembro, totalizando cerca de R$ 2 MM (retidos até a presente data em virtude de constrição anterior a assinatura do novo Ato  Trabalhista e que a atual Diretoria envida os melhores esforços para o desbloqueio) e da penhora, pela PGFN, das receitas do patrocínio master da Vitton 44, igualmente ainda bloqueados;

•    Com a perda dos direitos federativos dos atletas Daniel, Gabriel e Andrey, os quais haviam sido dados em garantia de empréstimos firmados pelo Sr. Maurício Assumpção, o Botafogo ficou apenas com as dívidas com terceiros (somente o atleta Daniel tinha uma multa rescisória prevista da ordem de 50 (cinqüenta) milhões de euros);

•    Ainda no dia 30/11/2014, com prazo máximo de pagamento até 11/12/2014, venceu uma parcela do Timemania, no valor aproximado de R$ 1,3 Milhão, também sem qualquer provisão de caixa e com ameaça de exclusão iminente, tendo seu pagamento sido solucionado pela atual gestão;

•    Já em dezembro/2014 a atual Diretoria tomou ciência do não pagamento, pelo Sr. Maurício Assumpção, de uma obrigação irrecorrível junto à FIFA, referente ao atleta Elkeson, cuja penalidade pelo inadimplemento correspondia a perda de 6 (seis) pontos na competição nacional, ou seja, o Campeonato Brasileiro da Série B, o que foi contornado com um empréstimo, não oneroso já quitado, para evitar que o Botafogo iniciasse a competição com saldo negativo;

•    Ao contrário do que falsamente anunciou o ex-Presidente, a Diretoria empossada no dia 26/11/2014, teve imensa dificuldade para convencer o Tribunal Regional do Trabalho a conceder oportunidade ao Botafogo para celebração de novo Ato Trabalhista, tendo em vista que a exclusão do Ato anterior deveu-se à sonegação de receitas da Cia Botafogo, sob a responsabilidade do Sr. Maurício. Para contornar o problema, a única alternativa foi aceitar a fixação de valores com gradual aumento mensal, sem oportunidade de negociação e de recusa, dada a quantidade de penhoras efetivadas contra o Botafogo, sobre suas receitas e sobre suas contas bancárias. O Ato Trabalhista nº 156/2014 foi publicado no dia 31/12/2014 e até a presente data sofre reiteradas impugnações, algumas em grau de recurso. Até a presente data já foram pagas 8 (oito) parcelas, totalizando R$ 8.250,000,00 (oito milhões e duzentos e cinqüenta mil reais);

•    A folha salarial deixada pelo Sr. Maurício Assumpção, no dia 26/11/2014, com vários meses de salários, direitos de imagem e encargos, superava os R$ 5,5 Milhões e, como dito antes, sem qualquer provisão de receitas para cumprimento;

•    Segundo informações da Federação do Estado do Rio de Janeiro – FERJ, posteriormente comprovadas por cópia de contrato apresentado, o Sr. Maurício Assumpção contraiu dívidas com a Federação que foram quitadas com as receitas do Botafogo devidas no Campeonato de 2015, porém restando pendente o comprometimento das receitas referentes ao Campeonato Carioca de 2016;

•    Do mesmo modo, a atual Diretoria foi informada, e depois teve a comprovação por contrato apresentado, de que todos os prêmios/receitas que viriam da FIFA e da CBF, encontravam-se igualmente comprometidas por dívidas contraídas pelo Sr. Maurício Assumpção.

E O QUE É TUDO ISSO? APENAS MÁ GESTÃO?

Tudo isto é uma temeridade que não pode não irá passar em branco na história do Botafogo.


Com estes esclarecimentos, o Conselho Diretor, empossado no dia 26/11/2014, espera ter afastado qualquer dúvida sobre a real situação do Botafogo na data em que assumiu a administração da instituição, restando demonstrado a responsabilidade do Sr Maurício Assumpção e seus Vices Presidentes pelo caos financeiro deixado ao final do segundo mandato no ano de 2014.

Rio de Janeiro, 15 de setembro de 2015.

Botafogo de Futebol e Regatas