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Resposta do René

Técnico escreve mensagem de agradecimento a colunista de O Globo
Atualizado em 12-05-2015, 10h00

Prezado Arthur Dapieve,

Você pergunta, em sua carta (http://oglobo.globo.com/cultura/carta-ao-rene-16029996?topico=arthur-dapieve) , se eu lembro de você. Como esquecê-lo? Suas colocações, sempre cuidadosas, sobre o aspecto social e cultural do futebol e o envolvimento da imprensa e seus relacionamentos com os envolvidos no mundo da bola, foram de extrema inteligência e delicadeza com todos os participantes da mesa e com os congressistas .

Quanto aos seus elogios a mim endereçados, como é bonita a humildade de quem tem o poder de uma coluna. Você poderia simplesmente falar dos acontecimentos de nossa caminhada no Campeonato Carioca e pronto,  mas você fez mais, teve a delicadeza de dizer que havia sido contra a minha contratação. Confesso que eu também seria no seu lugar. Eu era um treinador que estava há dois anos fora da função, ainda bem que fui estudar, fazendo alguns cursos pertinentes ao retorno à adrenalina dos gramados e da função.

Hoje me sinto muito mais preparado para gerenciar o presente-desafio botafoguense.

Permita-me adicionar em nossa carta-resposta uma que recebi do Portella e que me fez entender um pouco mais seu comportamento ao dedicar o espaço tão nobre de sua coluna ao Botafogo e ao seu treinador.

" Quando penso em Botafogo, penso em meu pai, minha família, minha vida. Acho que a história de todos os botafoguenses, de uma maneira ou de outra, é também a história do Botafogo. Acredito que nenhum clube se veste tanto a camisa, se é tanto, quanto se é Botafogo.

O grande jornalista Mário Filho já dizia:

- Ser Botafogo é escolher um destino e dedicar-se a ele. Não se pode ser Botafogo como se é outro clube: você tem que ser de corpo e alma.

Você acha um botafoguense corneteiro, pessimista, revoltado, mas, raramente, um botafoguense indiferente, ou um botafoguense que não conhece sua história, seus ídolos, o porquê de amar aquele clube, aquela instituição e o que representa aquela estrela solitária no peito.

Nos meus 23 anos de vida e Botafogo, passei a ter certeza de algo sobre o mesmo, tudo, absolutamente tudo, é intenso, desde os títulos às derrotas, nada é “normal”, típico. Somos o clube mais diferente do Brasil, seja para o bem ou para o mal. O clube mais tradicional do país, na cidade mais tradicional e de um dos bairros mais tradicionais. Quando você entra em General Severiano, vê a imagem de nossos ídolos, um pouco da história contada em fotos e textos, você tem a nítida sensação de respirar tradição, grandeza e sobretudo HISTÓRIA. A história do futebol brasileiro, a história de nossos ídolos, a história do Botafogo.

Hoje, num ano difícil, alguns tolos, chegaram a dizer que iremos acabar, que nunca mais voltaremos aos tempos de glórias.

Para eles, eu digo:

– Senhores, o Botafogo é eterno, nunca, jamais, acabará.

O clube que já teve Garrincha, Nilton Santos, Didi, Jairzinho, Gerson, Quarentinha, Manga, Paulo Cesar Caju, Túlio Maravilha e tantos outros, mas que sobretudo, sempre teve você, sim, você, alvinegro. O maior bem da nossa história, de nosso clube, eu, você, nós, os botafoguenses.

E enquanto houver nós, jamais acabaremos."

Termino te agradecendo, novamente e te garantindo que o nosso grupo de profissionais tem aprendido com a história deste Glorioso a respeitá-lo, honrá-lo e ter a noção exata da grandeza da missão que temos este ano.

Abraços e sucesso,

René Simões