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Mensagem do René Simões

Técnico escreve para a torcida do Botafogo e agradece pelo apoio dado ao clube
Atualizado em 24-02-2015, 15h30

Prezados torcedores alvinegros,

Há muito queria escrever para vocês, mas como prometi no início de dezembro, iria trabalhar e trabalhar,  evitando discursos e promessas que de nada adiantariam para amenizar e muito menos cicatrizar suas feridas. Tenho mantido silêncio e trabalhado arduamente pelo sucesso e, acima de tudo, pelo retorno ao topo do futebol brasileiro, de onde a grandeza do Botafogo jamais deveria ter saído.

Nossa equipe tem se mostrado trabalhadora, guerreira e respeitosa com as tradições do Glorioso. Várias vezes, fiquei aguçado para escrever, mas faltava um motivo mais forte do que trabalho e resultados. Isso não era suficientemente significativo para eu escrever para vocês. Mas, hoje, tenho esse motivo.

Colocar TREZE MIL torcedores no Estádio Nilton Santos (desculpem, não gosto de Niltão, ele foi muito maior para ser só Niltão) já seria um belo motivo, mas quis Nilton Santos e todos os gloriosos que tomássemos o primeiro gol, saindo atrás contra uma equipe perigosíssima no contra-ataque. Nova Iguaçu 1 x 0, inimaginável. Nestas circunstâncias, os riscos precisam ser corridos, adiantar a equipe e abrir mais espaços para a velocidade deles.

Fiz o que pensei e precisava e pude fazê-lo com tranquilidade. O clima no estádio me dava total segurança para ir à luta, sabia que vocês empurrariam o time e o resultado acabou vindo.

Gostaria de fazer uma colocação muito franca que às vezes aborrece muita gente, mas sempre faço: jogador ou jogadores ganham e também perdem jogos, com suas jogadas fenomenais ou bizarrices; treinadores ganham e também perdem jogos, com suas mudanças corretas ou com suas mexidas sem nenhum resultado; torcida ganha jogo e também perde jogo, com seu apoio incondicional durante noventa minutos ou com seu mau humor logo no início da partida.

No jogo de sábado, só ganhamos pois tivemos vocês do nosso lado, dizendo: "Corram, lutem, confiem, estamos juntos e vamos virar!!!" A felicidade da equipe no vestiário com essa parceria era contagiante. Daí eu ter falado que aquela torcida eu não conhecia, pois haviam me falado da impaciência, da intransigência, da cobrança descabida e etc e tal.

Ontem, de madrugada , assisti ao jogo e me detive várias vezes escutando o som da torcida, QUE LINDO!!!

Aproveito a oportunidade para pedir que façamos o jogo da paz. Sou avô da Isabela, tem 9 meses e logo logo quero vê-la jogando e frequentando os estádios e amando este esporte que é a minha vida. Mas, se não mudarmos, como farei que esse sonho vire realidade?

Tenham certeza de que o trabalho vai continuar muito forte, como prometido. Não estamos conformados com o que fizemos até agora, mas estamos agradecidos pelo que temos recebido.

Forte abraço,

René Simões